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sábado, 21 de janeiro de 2012

Pólvora e Poesia faz última temporada em Salvador e antecipa inicio da turnê nacional

Desde a estreia em 2010 o nosso barco não pára. Em 2012 não podia ser diferente.

Começamos o ano em cartaz dentro da programação do Amostrão Vila Verão no Teatro Vila Velha até o dia 12 de Fevereiro, aos domingos, as 20 horas. 

Após o carnaval, seguimos para o Rio de Janeiro para fazer a abertura da Mostra Nacional Funarte de Dança e Teatro / MAMBEMBÃO, projeto marcante da cultura nacional que teve última edicão em 1990 e retorna este ano. Além disso, nosso espetáculo reinaugura o Teatro Cacilda Becker, o que para nós é uma grande honra. Nos apresentaremos do dia 23 a 26 de fevereiro.
De abril a novembro deste ano estaremos em circulação nacional através do projeto Palco Giratório. Faremos 33 apresentações em aproximadamente 20 cidades, além de oficinas, intercâmbios, mesas e um Sarau performático com a obra dos "poetas malditos" entitulado TABERNA. 
E não pára por aí, estamos em negociação com alguns festivais e pode ser que o nosso barco ancore em outras terras. Assim que tivermos as confirmações dividiremos com nossos tripulantes.
E você que está em Salvador e ainda não viu o espetáculo, corre para o Vila, Velho!


domingo, 4 de dezembro de 2011

PÓLVORA E POESIA - 1 ANO DE SUCESSO


Pólvora e Poesia estreou em dezembro de 2010, com temporada neste mesmo mês e em janeiro e fevereiro. Em março participou da programação do Teatro Castro Alves em homenagem ao dia internacional do Teatro e em maio de 2011 fez sua terceira temporada em Salvador depois de receber 5 indicações ao Prêmio Braskem de Teatro(BA), sendo vencedor em duas categorias: Melhor espetáculo adulto e Direção para Fernando Guerreiro. 

O espetáculo foi selecionado pelo Festival Bahia em Cena, com temporada em Salvador e 3 apresentações no Rio de Janeiro no Teatro Poeira. Em outubro foi convidado para integrar a programação do Festival Internacional de Artes cênicas – FIAC. 

Pólvora e Poesia, completou um ano de temporadas e apresentações em dezembro, e obteve sucesso de público e da crítica especializada. Em janeiro e fevereiro de 2012, fará temporada no Teatro Vila Velha em Salvador e em abril segue para turnê nacional.

sábado, 15 de outubro de 2011

Depois do Rio, voltamos a Salvador.

Depois das apresentações de Pólvora e Poesia no Rio de Janeiro, percebemos que essa não pode ser a única viagem do espetáculo. Todos nós da equipe estamos confiantes de que nosso barco tem que percorrer muitos mares.
Os cariocas aprovaram e comungam da mesma vontade que nós da equipe. Pólvora e Poesia precisa de uma temporada no Rio de Janeiro. Fizemos novos amigos que já embarcaram conosco e estamos em busca de mais para que possamos deixar o rastro de Pólvora e Poesia por todo nosso país.
Tivemos convidados especialíssimos e um público atento.  O espetáculo ganhou maior impacto e densidade na caixa preta do Teatro Poeira, um santuário maravilhoso que nos acolheu e nos proporcionou momentos inesquecíveis.
Queremos agradecer a: toda equipe do Festival Bahia em Cena e também o estimulo da empresa Vivo, em especial a Expedito Araújo; a equipe do espetáculo que mais uma vez não contou esforços para que o espetáculo pudessem buscar novos horizontes; ao Teatro Poeira, por nos aceitar e receber em sua casa com toda hospitalidade e cuidado; a Mariana Serrão, nossa parceira no Rio de Janeiro, pessoa muito importante para que tudo pudesse correr como correu; e ao público especilíssimo que comparaceu e vivenciou este espetáculo junto conosco. 
Este mês, nos dias 27 e 28 de OUTUBRO, estaremos de volta a Salvador, no Espaço Cultural da Barroquinha participando do FIAC - FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTES CÊNICAS DA BAHIA. Não perca!

sábado, 20 de agosto de 2011

GANHADORES DA PROMOÇÃO

Agradecemos a todos que participaram da promoção e a todos que fazem parte das nossas redes sociais. É muito bom compartilhar nossa caminhada com vocês.
Será um grande prazer receber os vencedores dessa promoção neste penúltimo final de semana da Temporada. São eles:

Convidados do Sábado - 20 de agosto - 20 horas

KARINA MONTEIRO - "Ao blog. Ator não só declama texto, poesia... Ele, em cena, deixa-se queimar como pólvora!"

LUANE SOUTO - "Este blog flamejante revela chamas acesas pela pólvora: é a poesia do ator reverberando!"

Convidados do Domingo - 21 de agosto - 20 horas

CASSIA BATISTA DOMINGOS - "Ator, toma esta poesia: O blog grita, esperança! Não a queime como pólvora ao meio-dia."

RAFAYANE CARDOSO (?) - "Blog documenta poesia quando o ator se constrói e se mostra enquanto pólvora na História."

Os vencedores devem comparecer a bilheteria do Espaço Cultural da Barroquinha nos dias correspondentes, das 18h as 19h, munido de documento de identificação para a retirada do seu ingresso.

PARABÉNS E BOM ESPETÁCULO!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dia do Ator e mais de 20.000 acessos no Blog - Promoção de comemoração


Para comemorar o dia do ator e os mais de 20.000 internautas que visitaram o nosso Blog, fizemos uma promoção para sortear convites para o Espetáculo Pólvora e Poesia no Festival Bahia em Cena neste penúltimo final de semana da temporada. 
São 4 ingressos para ingressos para sábado (20/08) e domingo (21/08), às 20h no Espaço Cultura da Barroquinha. 

Ser ator e conseguir 20.000 acessos no blog não são tarefas fáceis, por isso criamos uma prova a altura:

Para concorrer aos convites crie nos comentários deste post uma frase com as palavras: Pólvora, Poesia, Ator e Blog. 


Atenção: A frase não pode ultrapassar o limite de 15 palavras.


O RESULTADO SAI AQUI NO SITE E NO FACEBOOK, AMANHÃ AS 13H. 


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Bahia em Cena no Rio de Janeiro


Essa semana saiu uma nota no Jornal Correio*, na coluna da queridíssima Telma Alvarenga, sobre a ida de Pólvora e Poesia ao Rio de Janeiro no mês de setembro. Essa viagem faz parte da programação do Festival Bahia em Cena, o qual estamos participando e seguimos para as duas últimas semanas de apresentações no Espaço Cultural da Barroquinha, Sábados e Domingos de Agosto, as 20 horas, em Salvador.
Essa é mais uma oportunidade dos baianos apreciarem o espetáculo antes dele levantar ancoras e seguir por outros mares.
E para os cariocas um adendo, estaremos nos apresentando nos dias 23, 24 e 25 de setembro e não nas datas divulgadas na matéria. 

sábado, 13 de agosto de 2011

SEGUNDA SEMANA - FESTIVAL BAHIA EM CENA

Depois de uma estreia emocionante e com casa cheia, seguimos com mais um final de semana de apresentações. Quem ainda não viu o espetáculo ganhador do Prêmio Braskem de Teatro, aproveite.
Hoje (sábado, 13) e amanhã (domingo,14) as 20h, no Espaço Cultural da Barroquinha.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5.
Imperdível!


domingo, 7 de agosto de 2011

ESTREIA NO FESTIVAL BAHIA EM CENA

fotos: Maira Lins




Segurando o timão, azeitando o leme, ajustando as amarras,lavando o convés,
cozinhando a "bóia", 
criando os emplastros,
escrevendo os diários,
olhando pela luneta,
orando pra Netuno,
consultando a bússola,

sim!

Lá vamos nós de novo, vagalhões a dentro, com os olhos fixos nas estrelas. 



HILDA NASCIMENTO

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FALTAM 4 DIAS!



Imagens: Kamikaze Filmes (Tiago Lins)
Edição: Hiperativa Comunicacão e Cultura (Talis Castro)

terça-feira, 31 de maio de 2011

OBRIGADO SENHORAS E SENHORES

Encerramos a Terceira Temporada, e ninguém melhor que o público para falar como foi. O Espaço Cultural da Barroquinha esteve lotado no mês de maio. 
O nosso "Muito Obrigado" a BRASKEM pelo incentivo e reconhecimento, aos apoiadores e fornecedores pela parceria e envolvimento, a toda equipe do Espetáculo pela dedicação e paixão no trabalho, a Imprensa pela receptividade e pelo acesso do público, e nossos especiais agradecimentos, a vocês, Senhoras e Senhores, que embarcaram conosco neste Barco Ébrio.
Continuem por aqui que tem muitas novidades pela frente.
Até agosto, Salvador! 




imagem e edição:

quarta-feira, 25 de maio de 2011

SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS - SÉRIE 4

A MESA – UM VÓRTICE



Todo início de espetáculo é a mesma coisa: o público é tomado por intenso impacto quando a mesa que se estende entre Rimbaud e Verlaine deixa seu estado linear e quebra. Ela rompe com o esperado, como pré-visto e o ponto de união entre suas partes não convida a platéia às sensações expansivas de um vértice. Ali se instala uma intimação a conhecer os redemoinhos, os furacões, a alma das voragens e dos turbilhões. Ali se instala a presença de um vórtice.
Um vórtice é um escoadouro. Ele surge devido a diferença de pressão entre duas regiões vizinhas. No nosso caso, os dois poetas e suas vidas pessoais. Vórtices são encontrados nos mais diversos locais da natureza, desde as complexas correntes circulares de água vindas de marés conflitantes, até quando observamos a água escorrer pelo ralo da pia formando aquela espiral que arrasta tudo com ela. O átomo, por exemplo, é um vórtice. Em aeronáutica chamaríamos de “arrastamento induzido”, a este efeito.
Em Pólvora e Poesia, a instalação do vórtice logo no início do espetáculo propõe-se a arrastar a platéia através de um redemoinho de emoções. Contam, a nosso favor, as leis naturais que atribuem aos vórtices, enquanto signos, a capacidade de atrair tudo que existe no Universo, sejam estes elementos pessoas, coisas, eventos, pensamentos ou ondas. Misturados, formarão algo novo, até então desconhecido. Ali, no encontro entre as linhas que vêm do infinito (ou alguém acha que a mesa termina ali, na cabeceira?), todos os desejos são recebidos, sem distinção, todas as pessoas estão autorizadas a ser, ter e fazer tudo que realmente desejam.
O ar pasmo da platéia quando deixa o local do espetáculo deixa claro que todos foram sugados por uma espiral e que, na tontura do seu giro sem freios, quase nada permanece no mesmo lugar.
Uma dica: abandone-se. O melhor de tudo não é saber onde vai chegar. É estar livre para viver o efeito da vertigem.                                        

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O CRISTO DE MARFIM, A CULPA E O CÉU DE CADA UM


foto: Maira Lins
RIMBAUD - Sua mulher implica porque eu agora ando com este Cristo de marfim...
VERLAINE – Porque esse Cristo foi da avó dela, só isso...
RIMBAUD - Não. Ela me acusou. Disse que eu tirei o Cristo da parede. Da parede junto à cama de vocês. Que eu mutilei esse cristo de marfim e saí com ele por aí... Que andei com o Cristo a noite inteira... Entrando em cervejarias... Mostrando o Cristo às putas, enquanto me divertia com elas. 

Na época destes poetas era comum usarem objetos de marfim: pentes, adornos, suportes e esculturas diversas. Rimbaud poderia ter pegado qualquer um desses. Entretanto, o escolhido foi justamente um Cristo. 

A primeira coisa que aparece é o ato de irreverência do jovem poeta. É claro, mas não suficiente para um simbolista. É mais do que isto. O gesto de retirar o Cristo da parede junto à cama traz o símbolo universal do crucificado para perto, para as mãos, para os lugares comuns: as pessoas, as cervejarias, o prazer pago. Na aparente profanação adolescente há o gesto que aproxima e irmana o divino, que questiona o conceito de pecado e autoriza o humano a ser filho de Deus incluindo todas as suas perfeitas imperfeições. 

Um Cristo de marfim precioso, mas preso. Rimbaud levou o Cristo aos bares. Levou ao lugar onde estavam as pessoas - os filhos de Deus -, com fome de um amor impossível de caber apenas sobre uma cama entre quatro paredes. 

O SARAU DE IDEIAS de Pólvora e Poesia desta sexta, dia 20, vai falar “do que não se fala” – que é a culpa sob a ótica da religião. Depois do espetáculo (que começa às 20 horas) teremos a presença de representantes de diferentes religiões que debaterão sobre o conceito de CULPA e PECADO à luz da filosofia religiosa que praticam. 

RIMBAUD – Estou como o campo entregue ao olvido, crescido e florido de joios, resinas, ao bordão selvagem das moscas imundas.

Em tempos de “humanidade desumanizada”, é fundamental lembrar a importância da semeadura. Afinal, orquídeas nascem sobre pedras. 

Venha debater com a gente o próximo Sarau de Ideias!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sarau de Ideias e seus visitantes

No último Sarau de Ideias (sexta-feira, 6/maio), tivemos a doce e polêmica presença do diretor de cinema Edgard Navarro. Ele participou do bate-papo após o espetáculo e deu sua leitura pessoal e cinematográfica sobre Pólvora e Poesia. 

Na próxima sexta, um dos nossos convidados do Sarau de Ideias é o jornalista, pesquisador e ativista Leando Colling. Ele dividirá o debate com o atual presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, com a psicóloga Luciana Melo, e com o público presente à sessão. O tema será "Preconceito e violência".

O Sarau de Ideias acontece todas as sextas-feiras, após a encenação de Pólvora e Poesia, lá mesmo no Espaço Cultural Barroquinha. Fica quem quer. Ganha quem fica. Venha participar e debater com a gente. Esperamos vocês.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS - SÉRIE 3

SOBRE TECIDOS DE ALGODÃO
Foto: Maira Lins


Verlaine - Algodão inglês. Roubei da minha sogra. Para você fazer roupas de baixo. Até camisas...

Quando pousamos nosso olhar, nossa atenção sobre este trecho, cabe perguntar o que pode significar este elemento: um corte de tecido, em um momento tão especial do texto, justamente quando os dois personagens estão se separando. Podemos considerar que vários outros presentes seriam mais interessantes: uma boa garrafa de vinho, Absinto, quem sabe até tintas, canetas e papéis. Então, por que um corte de tecido?

A princípio ele surge como uma recompensa. Algodão inglês não era tão valorizado quanto a seda, na França, mas prestava-se muito bem a um vestuário sem maiores sofisticações. Daí que poderia servir “até” para camisas. Melhor se fosse alvejado. Mas a primeira proposição era fazer “roupas de baixo”, já que Rimbaud declarou abertamente que veio sem elas. A sugestão era cobrir-se. Naquela época dizia-se: “cobrir as vergonhas”.

Mais adiante, no texto original, Alcides Nogueira sugere que Riubaud retire um longo pano branco de algodão de uma mala e dance com ele simulando a vela de um barco. Temos aí, novamente, a presença de um tecido, desta vez disponível para cobrir o corpo inteiro. Neste caso, combinado com o texto, capaz de enfunar-se e levá-lo para longe, mar à dentro.

Os dois elementos (o segundo não aparece na nossa montagem) apresentam-se com significações diametralmente opostas. O primeiro, trazido pelas mãos de Verlaine, propõe-se a esconder, a tirar da visão, a cercear os sentidos e o desejo. Já o que sai do “espaço vazio” de Rimbaud (a mala), apresenta-se como o elemento capaz de abrir espaços, levá-lo para longe, na direção do desconhecido.

Na sequencia em que aparecem no texto, percebo como representações do poder de expandir, de transformar concretudes em mistérios, qualidades que o poeta simbolista trouxe em sua bagagem aparentemente composta de vazios. E espaços vazios não são aqueles onde não existe nada. Muito pelo contrário, são aqueles onde tudo cabe.


HILDA NASCIMENTO - PREPARADORA DE ELENCO E DIRETORA ASSISTENTE

domingo, 1 de maio de 2011

SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS - SÉRIE 2

POR QUÊ ABSINTO?
Foto:Maira Lins

“Eu não sabia como era bom o absinto. Hoje, quando sua mulheu serviu sopa no jantar, eu queria era absinto.”
Rimbaud
Hipócrates, o pai da medicina, costumava receitar uma planta chamada Artemisia Absinthium para tratar anemia, asma reumatismo e cólicas mentruais.
Em 1792, na Suíça, Pierre Ordinaire – um médico monarquista francês- criou o Absinto para fins medicinais; mais tarde descobriu que a mistura dessas ervas, poderia ser transformada em solução alcoólica. Em 1797 foi criada a primeira fábrica para fins não medicinais. Acreditava-se, nos séculos XIX e XX, que o absinto era um grande afrodisíaco e potencializador da criatividade, o que inspirava muitos a fazerem de seu uso um ótimo estimulante na criação de textos e obras de arte. Foi assim que o absinto passou a ser conhecido como “A Fada Verde” - fada madrinha da nova expressão artística que ali surgia.
O sabor do absinto é obtido através da mistura de ingredientes como anis e uma diversidade de ervas.
Como reação ao consumo pelos artistas, o Absinto foi considerado uma bebida maldita, capaz de provocar alucinações, convulsões e destruição das faculdades responsáveis pelo equilíbrio humano. Na verdade, o grande incômodo era dado a partir dos modos irreverentes daqueles que o consumiam, das provocações que faziam e, especialmente, do resultado de suas obras, sempre à frente do tempo, convidando a mudanças.
O absinto foi a bebida preferida de mestres como Van Gogh, Pablo Picasso, Degas e Manet, e também muito apreciada por escritores e poetas como o nosso Paul Verlaine, Baudelaire, Fernando Pessoa, Eça de Queirós e Ernest Hemingway. 
Atualmente, a bebida teve seu teor alcoólico original de 85% alc/vol. reduzido conforme a legislação dos países onde o consumo é liberado. No Brasil, por exemplo, este teor caiu para 54% o maximo permitido pela nossa legislação, teor relativamente alto comprado à cachaça que fica por volta dos 40%.
O Absinto hoje é servido de inúmeras maneiras, desde sua forma clássica - com um torrão de açúcar derretido por uma pedra de gelo sobre uma colher perfurada - até nos suaves drinks com frutas ou na culinária.
Rimbaud conheceu o Absinto através de Verlaine. E, claro, apreciou tanto seu paladar como seus efeitos.


HILDA NASCIMENTO - PREPARADORA DE ELENCO E DIRETORA ASSISTENTE

sexta-feira, 29 de abril de 2011

SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS - SÉRIE 1

A GARRAFA – EMBRIAGUEZ E LUCIDEZ
Foto: Maira Lins
Não é à toa que Rimbaud e Verlaine, assim que se encontram pela primeira vez, bebem de uma mesma garrafa de vidro, supostamente contendo vinho. Se bem observado, essa garrafa vai permanecer em cena até o final do espetáculo, horas mais escondida, horas mais à vista, embaralhada entre os passos dos atores.
Uma garrafa é um objeto criado para conter algo dentro. Supõe-se que um dia esteve vazia e foi cheia em algum outro momento, guardando um conteúdo para ser esvaziado depois... ou não. No caso de Pólvora e Poesia, vinho. A dois. Inúmeros objetos poderiam estar ali. Mas o que está é uma garrafa.
Uma garrafa de bom vinho dá-se ao luxo de ver passar o tempo em “caves” climatizadas, deitadas. Ali importa cuidar delicadamente do seu conteúdo que passou por um misterioso processo de transformação no qual tornou-se agre, pra depois alcançar a doçura, a sofisticação que leva ao aguçar do paladar. Podemos afirmar que o vinho conhece a trajetória entre a vida e a morte. E isto é confirmado, através do tempo, sempre associando esta bebida a cerimônias que celebram as estações da vida.
O vidro, por si só, é um sólido quase líquido. Seu estado é intermediário entre esses dois estados físicos, dada a organização peculiar de suas moléculas, mais distantes entre si e ligadas de uma maneira bagunçada. É uma matéria que transita entre sua condição de estabilidade.
É através deste objeto vítreo – a garrafa, que o bêbado Rimbaud olha e traduz o mundo através de uma poesia que indaga a realidade paradoxal:
“Porque eu vi demais... Porque eu soube demais... porque eu tive demais. Oh sons e visões. Partida entre afetos e ruídos novos...”
Existe, ainda, um resto do líquido a balançar quando o olhar do ator atravessa aquela garrafa? Sobre que mar rubro sua visão é apoiada? Rimbaud foi, mesmo, um rebelde irreverente irresponsável, ou seu olhar sobre a realidade atravessava outra lente desconhecida pela maioria que tratou de excluí-lo sob o título de marginal?

HILDA NASCIMENTO - PREPARADORA DE ELENCO E DIRETORA ASSISTENTE