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segunda-feira, 11 de março de 2013

PÓLVORA E POESIA E TEATRO CASTRO ALVES


Rose Lima,

Escrevemos para externar nossa gratidão e respeito. Gratidão por mais um convite para estarmos nessa casa – o TEATRO CASTRO ALVES, contando com uma equipe disponível, competente e respeito por podermos pisar nesse território de fomento à cultura, à beleza, à arte, com a sensação simples e profunda de estarmos dentro da nossa casa.

O TCA é nosso companheiro desde os primeiros dias, nascedouro dos ensaios de Pólvora e Poesia, das primeiras reuniões, tempo em que não tínhamos sequer idéia do que viria pela nossa frente. De lá pra cá essa casa sempre esteve a nosso lado acolhendo urgências, abrindo as portas do centro técnico, de espaços para nossas reuniões. Foi na sala principal que recebemos os prêmios Brasken, foi nela também que experimentamos pela primeira vez nosso trabalho em cima do palco e descobrimos que dava certo. Neste final de semana, mais uma vez, vivemos a prazerosa experiência de estarmos nesse espaço/tempo onde tudo sempre vai dar certo e vibramos com uma platéia que respondeu ao chamado.

Receba, assim, nosso maior apreço. Você especialmente e todos da equipe do TCA fazem muita diferença para nós. Verdadeiros parceiros, onde quer que estejamos, vocês sempre estarão conosco. Nossa equipe, de pé, aplaude a todos!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pólvora e Poesia faz última temporada em Salvador e antecipa inicio da turnê nacional

Desde a estreia em 2010 o nosso barco não pára. Em 2012 não podia ser diferente.

Começamos o ano em cartaz dentro da programação do Amostrão Vila Verão no Teatro Vila Velha até o dia 12 de Fevereiro, aos domingos, as 20 horas. 

Após o carnaval, seguimos para o Rio de Janeiro para fazer a abertura da Mostra Nacional Funarte de Dança e Teatro / MAMBEMBÃO, projeto marcante da cultura nacional que teve última edicão em 1990 e retorna este ano. Além disso, nosso espetáculo reinaugura o Teatro Cacilda Becker, o que para nós é uma grande honra. Nos apresentaremos do dia 23 a 26 de fevereiro.
De abril a novembro deste ano estaremos em circulação nacional através do projeto Palco Giratório. Faremos 33 apresentações em aproximadamente 20 cidades, além de oficinas, intercâmbios, mesas e um Sarau performático com a obra dos "poetas malditos" entitulado TABERNA. 
E não pára por aí, estamos em negociação com alguns festivais e pode ser que o nosso barco ancore em outras terras. Assim que tivermos as confirmações dividiremos com nossos tripulantes.
E você que está em Salvador e ainda não viu o espetáculo, corre para o Vila, Velho!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

SIMBOLOGIA DOS ELEMENTOS - SÉRIE 3

SOBRE TECIDOS DE ALGODÃO
Foto: Maira Lins


Verlaine - Algodão inglês. Roubei da minha sogra. Para você fazer roupas de baixo. Até camisas...

Quando pousamos nosso olhar, nossa atenção sobre este trecho, cabe perguntar o que pode significar este elemento: um corte de tecido, em um momento tão especial do texto, justamente quando os dois personagens estão se separando. Podemos considerar que vários outros presentes seriam mais interessantes: uma boa garrafa de vinho, Absinto, quem sabe até tintas, canetas e papéis. Então, por que um corte de tecido?

A princípio ele surge como uma recompensa. Algodão inglês não era tão valorizado quanto a seda, na França, mas prestava-se muito bem a um vestuário sem maiores sofisticações. Daí que poderia servir “até” para camisas. Melhor se fosse alvejado. Mas a primeira proposição era fazer “roupas de baixo”, já que Rimbaud declarou abertamente que veio sem elas. A sugestão era cobrir-se. Naquela época dizia-se: “cobrir as vergonhas”.

Mais adiante, no texto original, Alcides Nogueira sugere que Riubaud retire um longo pano branco de algodão de uma mala e dance com ele simulando a vela de um barco. Temos aí, novamente, a presença de um tecido, desta vez disponível para cobrir o corpo inteiro. Neste caso, combinado com o texto, capaz de enfunar-se e levá-lo para longe, mar à dentro.

Os dois elementos (o segundo não aparece na nossa montagem) apresentam-se com significações diametralmente opostas. O primeiro, trazido pelas mãos de Verlaine, propõe-se a esconder, a tirar da visão, a cercear os sentidos e o desejo. Já o que sai do “espaço vazio” de Rimbaud (a mala), apresenta-se como o elemento capaz de abrir espaços, levá-lo para longe, na direção do desconhecido.

Na sequencia em que aparecem no texto, percebo como representações do poder de expandir, de transformar concretudes em mistérios, qualidades que o poeta simbolista trouxe em sua bagagem aparentemente composta de vazios. E espaços vazios não são aqueles onde não existe nada. Muito pelo contrário, são aqueles onde tudo cabe.


HILDA NASCIMENTO - PREPARADORA DE ELENCO E DIRETORA ASSISTENTE